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Plantio em forma de onda maximiza a produtividade do eucalipto

Plantio em forma de onda maximiza a produtividade do eucalipto
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Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) concluiu que um esquema de plantio de eucalipto em forma de onda promove o melhor uso dos recursos disponíveis no ambiente e maximiza a produtividade.

Os pesquisadores compararam o crescimento das árvores em função dos diferentes sistemas de plantio, como o sistema agroflorestal em ondas (SAF Onda) e o monocultivo. Como resultado, observou-se a possibilidade de obter-se árvores com um maior diâmetro de tronco que podem ser melhor aproveitadas em serrarias. O esquema de plantio contribui na obtenção de produtos mais sustentáveis e livres de desmatamento ilegal. O produtor tem um retorno econômico antecipado e um valor agregado das toras de maior diâmetro ao utilizar o novo sistema.

O experimento teve início em 2009 e faz parte do mestrado de Gabriella da Silva Ribeiro, com orientação do professor Ciro Abbud Righi, do departamento de Ciências Florestais da Esalq. A iniciativa da ideia foi embasada na premissa de que os SAFs são sistemas produtivos promissores, que possuem um grande potencial de aumentar a produtividade das culturas, além de serem vantajosos para o meio ambiente como para a sociedade. “Esses sistemas, por não possuírem regras específicas nem seguirem pacotes tecnológicos prontos, podem promover uma visão mais holística aos produtores e englobar uma gama de oportunidades e possibilidades”, disse Gabriella.

Segundo o professor, as plantas possuem capacidade de se ajustar ao ambiente e promover alterações de formato que podem auxiliar na maior captura da radiação solar, que é abundante no Brasil. “Isso se traduz em melhores ajustes ambientais e maiores taxas de crescimento e ganhos aos produtores”, falou.

Gabriella Ribeiro apresentou resultados expressivos do experimento durante o Congresso Mundial de Florestas (IUFRO 125th Anniversary Congress) que ocorreu em Freiburg na Alemanha. Na ocasião, a estudante demonstrou que as árvores do primeiro ano de plantio cresceram 250% a mais do que aquelas em monocultivo com a mesma idade. “Quem planta árvores possui uma visão de futuro. E no meu caso, é uma visão otimista e que poderemos desenvolver sistemas produtivos melhores”, afirmou a pós-graduanda.

Segundo a pesquisadora, a consolidação desse sistema permitirá aos interessados dos setores agrícolas e florestais reduzirem a exposição a riscos podendo honrar seus compromissos ambientais relacionados a produtos mais sustentáveis. “Também poderão maximizar a produção biológica e sua diversidade gerando empregos e rendas dignos aos produtores e estimular a permanência das pessoas no campo, como também estimular a adoção desses sistemas em larga escala”, falou.

SAF Onda

O SAF Onda é o resultado das diferentes alturas das árvores de eucalipto plantadas em faixas em diferentes anos. Esse esquema de plantio aumenta a captação da radiação solar, sua penetração e a produção biológica. Dessa maneira, linhas de árvores de Eucalyptus (COP 1277 – híbrido comercial de E. grandis e E. camaldulensis) foram plantadas anualmente seguindo o espaçamento convencional de plantios monoculturais de eucalipto.

O experimento está situado na Estação Experimental de Ciências Florestais de Anhembi/SP, Brasil (EECFA) administrada pelo Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. A sequência de plantio foi feita criando os comprimentos de onda crista a crista, isto é, a distância entre as árvores mais altas e mais velhas, de 24 metros e 42 metros. Com isso, a lacuna entre as linhas de árvores foi fechada com quatro anos (Onda Curta) e sete anos (Onda Longa) de plantio.

Durante o tempo em que a quadra ainda não se encontra toda plantada com as árvores é possível realizar plantios de culturas anuais ou ter pastagem com animais de criação. Estes últimos se beneficiam da sombra melhorando o conforto dos animais que crescem em melhores condições.

Além disso, a receita gerada pelas culturas de ciclo curto ajuda no balanço econômico dos produtores por obter receitas antes do final do ciclo do eucalipto (normalmente cortado entre 6 e 7 anos de idade). Desta maneira, o fluxo de caixa é mais constante e melhor distribuído ao longo do tempo.

“Existem muitos benefícios ecológicos por termos uma cobertura permanente do solo e uma ciclagem contínua de nutrientes. Isso favorece em muito o desenvolvimento de um sistema produtivo mais ajustado com os ciclos da natureza”, concluiu a pós-graduanda.

FONTE: Leticia Santin – COMUNICA ESALQ/USP

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